Ácido
Tranexâmico no Melasma
Aumenta a Eficácia das Terapias Tópicas
O melasma é uma hipermelanose comum,
adquirida, simétrica, caracterizada por máculas acastanhadas, mais ou menos
escuras, de contornos irregulares, com limites nítidos, nas áreas fotoexpostas,
especialmente face, fronte, têmporas e, mais raramente, nariz, pálpebras, mento
e membros superiores.
Fatores
Envolvidos no Melasma e Tratamento
Apesar de sua etiopatogenia não ser
inteiramente conhecida, múltiplos fatores estão envolvidos, especialmente a
influência hormonal associada à gravidez, contraceptivos orais, terapia de reposição
hormonal, radiação ultravioleta A e B, predisposição genética, fármacos
fototóxicos, anticonvulsivantes e disfunção tireoidiana.
O tratamento atual do melasma pode ser
dividido em duas categorias: tópico e oral. De forma geral, o tratamento
do melasma, tanto tópico quanto oral, permanece um desafio por ser essa uma
condição refratária e recorrente. O objetivo do tratamento é reduzir a síntese
de melanina, inibir a formação de melanossomas e promover sua degradação.
Independentemente do despigmentante utilizado, a fotoproteção de amplo espectro
é essencial para prevenir a formação de nova melanina e para diminuir a
oxidação da melanina pré-formada.
Ácido Tranexâmico no Melasma
O ácido tranexâmico é um inibidor de plasmina utilizado para prevenir a fibrinólise e, dessa forma, reduzir a perda de sangue. Exerce seus efeitos através do bloqueio reversível da ligação de lisina na molécula de plasminogênio, inibindo o ativador de plasminogênio de convertê-lo em plasmina.
A radiação ultravioleta (UV) induz a síntese de
plasminogênio e aumenta a atividade da plasmina nos queratinócitos, a liberação
intracelular de ácido araquidônico, um precursor de prostanoides e o nível
aumentado do hormônio alfa-melanócito estimulante (MSH) podem ativar a síntese de
melanina
Portanto, a atividade antiplasmina do ácido tranexâmico pode ser o principal mecanismo responsável pelo efeito hipopigmentante deste agente, uma vez que a plasmina reconhecidamente aumenta a formação de precursores melanogênicos e também a liberação de bFGF (Fator de Crescimento Fibroblástico Básico), que é um potente fator de crescimento de melanócitos.
Estudo Comprova
Este estudo publicado no periódico internacional Indian Journal of Dermatology teve como objetivo avaliar a eficácia da adição de ácido tranexâmico oral em pacientes com melasma tratados com uma tripla combinação tópica que consistia de um creme com acetonido de fluocinolona, hidroquinona e tretinoína.
Resultados
Ø
Todos
os pacientes completaram o período do estudo;
Ø
Os
escores do MASI na linha base no grupo 1, na semana 4 e na semana 8 foram:
18,243, 6,135 e 2,19, respectivamente
Ø
Os
escores do MASI na linha base no grupo 2, na semana 4 e na semana 8 foram:
15,425, 11,075 e 6,995, respectivamente;
Ø
A
comparação entre os grupos mostrou uma diminuição rápida do melasma no grupo 1
quando comparado com o grupo 2. Os resultados foram estatisticamente significativos
na semana quatro (p=0,014) e na semana 8 (p=0,000);
Ø
A
eficácia do tratamento foi mantida durante todo o período de acompanhamento de
seis meses.
Conclusão
A adição de ácido tranexâmico oral ao creme de combinação tripla à base de fluocinolona resulta em uma melhora mais rápida e sustentada no tratamento do melasma.