Posso contrair herpes de uma amostra de maquiagem?

Estudos Científicos 23/jan/2019

Em tese é possível se contaminar não só com o vírus do herpes como com bactérias e fungos

Sim, em tese é possível se contaminar não só com o vírus do herpes como com bactérias e fungos, segundo especialistas consultados pelo UOL VivaBem. Mas isso depende de várias condições para acontecer. Em primeiro lugar, é preciso que o usuário que tem o vírus herpes simplex 1 ou 2 deixe uma quantidade de saliva no produto, ou então que esteja na fase em que o risco de transmissão aumenta: não só quando a lesão (bolha ou vesícula) está presente, mas também um pouco antes de aparecer, fase chamada de pródromo.

Também é preciso que a outra pessoa utilize o produto pouco depois de alguém infectado, já que o vírus não sobrevive por muitas horas em superfícies. Alguns estudos indicam que o micro-organismo pode permanecer vivo por até quatro horas, o que é menos que um vírus da gripe, que costuma sobreviver por até oito horas. Mas isso depende muito de fatores como presença de umidade, calor e outros micro-organismos.

A verdade é que você nunca vai ter certeza de quando ou como contraiu o vírus. É muito comum as pessoas se infectarem na infância, por exemplo, e só apresentarem lesões muitos anos depois, por uma queda na imunidade.

De qualquer forma, os especialistas recomendam que se evite compartilhar maquiagem e que as amostras das lojas não sejam testadas no rosto, e sim no pulso, no dorso ou até na palma da mão. A rigor, produtos em pó ou bastão, que não contêm água, não constituem ambientes propícios para o crescimento de bactérias, fungos ou vírus.

Mas não há como garantir que estejam estéreis. Por mais que a loja higienize as amostras com frequência, e até deixe lenços e álcool à disposição para os consumidores, é um material que, por ser aberto manuseado várias vezes, acaba exposto à luz, ao calor, a poluentes, umidade, células mortas e até coliformes fecais depositados por quem não lava as mãos direito.

É bom lembrar que o próprio herpes, além de vários outros vírus, podem infectar os olhos, por isso é bom tomar cuidado com rímel, lápis e delineador. Muita gente tem problemas até com a própria maquiagem, por guardá-la em local quente e úmido, ou por negligenciar o prazo de validade.

Se a tentação em experimentar a maquiagem exposta na prateleira ou da amiga for demais, passe um lenço de papel e retire uma fina camada do produto antes e depois de usar. Se for possível borrifar ou mergulhar no álcool também, melhor ainda. E solicite pincéis e aplicadores descartáveis à loja.

Fontes: Claudia Marçal (dermatologista/Sociedade Brasileira de Dermatologia); Lucas Portilho (farmacêutico e professor/Instituto Brasileiro de Ciências da Pele); Marcio Serra (dermatologista/Departamento de DST e AIDS da Sociedade Brasileira de Dermatologia); Sociedade Brasileira de Infectologia

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Autor(a)

Lucas Portilho
Lucas Portilho
Diretor Científico da Consulfarma

Farmacêutico e Especialista em Cosmetologia. Mestre em Ciências Médicas pela Unicamp. Diretor das pós-graduações do Instituto de Cosmetologia e Ciências da PeleHi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Formulações do Instituto de Cosmetologia. Diretor da Consulfarma Assessoria. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos. Possui 20 anos de experiência na área farmacêutica e cosmética. Professor e Coordenador dos cursos de pós Graduação com MBA do Instituto de Cosmetologia.

Coordena Cursos Internacionais em Desenvolvimento de Cosméticos na Itália, França e Espanha. Atua em desenvolvimento de formulações para mercado Brasileiro, Europeu e América Latina. Atuou em indústria farmacêutica, farmácias magistrais e elaborou diversos projetos de desenvolvimento de linhas de produtos cosméticos nas empresas Consulfarma Assessoria.?Colunista no Prospector. 

Coordenador da Comissão de Farmácia de Estética do CRF-SP. 

Fundador do Cosmético Seguro. 

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