Dermatite Atópica e Vitamina E

Estudos Científicos 29/abr/2021

Baixos Níveis de Vitamina E Estão Associados à Dermatite Atópica Canina

Vitamina E

A vitamina E, cuja forma mais prevalente e ativa é o alfa-tocoferol, é o antioxidante lipossolúvel predominante nos tecidos. Estudos laboratoriais demonstraram que a vitamina E é um antioxidante extremamente potente (ROCHA, 2008).

É encontrada em grande quantidade nos lipídeos e evidências recentes sugerem que a vitamina E tem a capacidade de impedir a propagação das reações em cadeia induzidas pelos radicais livres nas membranas biológicas (MORAES, 2007).

Mecanismo de Ação

O alfa-tocoferol interrompe a reação em cadeia da peroxidação lipídica, sequestrando os radicais alquilperoxila. Na ausência de vitamina E, a lipoperoxidação é propagada (CERQUEIRA; MEDEIROS; AUGUSTO, 2007).

Vitamina C

O cão é apto a sintetizar o ácido ascórbico (AA), entretanto, a vitamina é frequentemente administrada na tentativa de melhorar a saúde e o desempenho (WANG; BERGE; HOEM; SUND, 2001).

Relação da Vitamina C com a Vitamina E

1.    Quando a vitamina E e C são utilizadas como antioxidantes exógenos, a vitamina E irá se oxidar para alfa-tocoferil e reduzir o peróxido lipídico, porém este alfa-tocoferil é um radical livre de alta reatividade, provavelmente com a mesma intensidade que o peróxido lipídico que foi inibido anteriormente;

2.    Para o alfa-tocoferil ser reduzido, é necessário que ocorra a oxidação da vitamina C, que irá se converter em ascorbil e recuperar o alfa-tocoferil em alfa-tocoferol, mantendo as suas propriedades antioxidantes;

3.    O ascorbil apresenta, normalmente, pouca reatividade e pode se auto reduzir ou eventualmente ser eliminado do organismo na sua forma de ascorbil;

4.    Em outras palavras, apesar do excedente de ácido ascórbico ou vitamina C ser eliminado na urina e na maior parte das vezes em indivíduos com estresse oxidativo elevado, o ácido ascórbico é eliminado em forma de ascorbil, mostrando que realizou sua atividade antioxidante dentro do organismo e está sendo eliminado na sua forma oxidada (DEBOER, 2004).

Vitamina E e Ácidos Graxos

Relação e Benefícios

As famílias ômega-3 e ômega-6 são considerados ácidos graxos essenciais, pois os cães e gatos não podem sintetizá-los e devem ser recebidos pela dieta (NRC, 2006; SIMOPOULOS, 2005). 

Os ácidos graxos são incorporados à membrana celular, tendo efeitos sobre sua integridade e a fluidez, atuando também na sinalização celular.

Deficiência de Ácidos Graxos Essenciais

®     Aumento da permeabilidade da pele e da membrana celular;

®     Deficiência de cicatrização;

®     Aumento da susceptibilidade a infecções;

®     Queda de pelo;

®     Dermatite seborreica com hiperqueratose

®     Aumento na síntese de DNA dos queratinócitos;

®     Descoloração dos pelos, descamação, eritema.

Evidências Sobre a Eficácia dos Ácidos Graxos

  • Um estudo que avaliou cães atópicos após o tratamento com ômega-3 e quatro anti-histamínicos diferentes demonstrou que apesar de todos os produtos controlarem parcialmente o prurido, poucos cães tiveram a doença controlada satisfatoriamente apenas com o uso do anti-histamínicos. Por outro lado, em todos os casos estudados a adição de ÁCIDOS GRAXOS ESSENCIAIS levou a um marcante efeito sinérgico, culminando na melhoria do quadro clínico.

  • Uma intervenção dietética com ácidos graxos poli-insaturados (PUFA) demonstrou aliviar os sintomas em alguns cães (SCHUMANN; BASIOUNI; GÜCK; FUHRMANN, 2014).


Estudos Comprovam

Vitaminas E e C São Eficazes nos Problemas de Pele em Cães

Estudo 1 – Vitamina E é Eficaz em Cães com Dermatite Atópica

Este estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da suplementação de vitamina E em cães com dermatite atópica (PLEVNIK KAPUN; SALOBIR; LEVART; TAVCAR KALCHER et al., 2014).

Resultados:

ü  De acordo com os resultados, níveis plasmáticos mais elevados de vitamina E foram observadas no grupo suplementado com vitamina E, do que no grupo placebo;

ü  A suplementação com vitamina E reduziu escores do Canine Atopic Dermatitis Extent and Severity Index (CADESI-03) e também diminuiu de maneira significativa a intensidade do prurido.

Conclusão:

Os resultados deste estudo apoiam a suplementação de vitamina E em cães com dermatite atópica.

Estudo 2 – Vitamina C Reduz A Peroxidação Lipídica Após Queimadura

Os efeitos do tratamento com vitamina C (14 mg/kg/h) sobre a peroxidação lipídica na pós-queimadura foi avaliado (MATSUDA; TANAKA; YUASA; FORREST et al., 1993).

Os pesquisadores concluíram que a administração de altas doses de vitamina C diminui a peroxidação lipídica após a queimadura e reduz o escoamento de proteína e fluido para o compartimento microvascular


Referências

CAVALIERI, A. C.; BAZOLLI, R. S.; PRADA, F. Omega 6 and 3 polyunsaturatedfatty acids dog and cat nutrition. São Paulo. 5 2002.

 

CERQUEIRA, F. M.; MEDEIROS, M. H. G. D.; AUGUSTO, O. Antioxidantes dietéticos: controvérsias e perspectivas. Química Nova, 30, p. 441-449, 2007.

 

DEBOER, D. J. Canine atopic dermatitis: new targets, new therapies. J Nutr, 134, n. 8 Suppl, p. 2056s-2061s, Aug 2004.

 

MATSUDA, T.; TANAKA, H.; YUASA, H.; FORREST, R. et al. The effects of high-dose vitamin C therapy on postburn lipid peroxidation. J Burn Care Rehabil, 14, n. 6, p. 624-629, Nov-Dec 1993.

 

MORAES, F. ALIMENTOS FUNCIONAIS E NUTRACÊUTICOS: DEFINIÇÕES, LEGISLAÇÃO E BENEFÍCIOS À SAÚDE. Revista Eletrônica de Farmácia, 3, 10/23 2007.

 

PLEVNIK KAPUN, A.; SALOBIR, J.; LEVART, A.; TAVCAR KALCHER, G. et al. Vitamin E supplementation in canine atopic dermatitis: improvement of clinical signs and effects on oxidative stress markers. Vet Rec, 175, n. 22, p. 560, Dec 6 2014.

 

ROCHA, M. A. Biotecnologia na nutrição de cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, 37, p. 42-48, 2008.

 

SCHUMANN, J.; BASIOUNI, S.; GÜCK, T.; FUHRMANN, H. Treating canine atopic dermatitis with unsaturated fatty acids: the role of mast cells and potential mechanisms of action. J Anim Physiol Anim Nutr (Berl), 98, n. 6, p. 1013-1020, Dec 2014.

 

WANG, S.; BERGE, G. E.; HOEM, N. O.; SUND, R. B. Pharmacokinetics in dogs after oral administration of two different forms of ascorbic acid. Res Vet Sci, 71, n. 1, p. 27-32, Aug 2001.

 


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Autor(a)

Equipe Técnica Consulfarma
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